segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 2014

No dia 5 de novembro foi lançado o novo Guia Alimentar para a População Brasileira pelo Ministério da Saúde. 

O QUEVOCÊ ENCONTRA NESTE GUIA
O capítulo 1 descreve os princípios que nortearam sua elaboração. 
O capítulo 2 enuncia recomendações gerais sobre a escolha de alimentos. Estas recomendações, consistentes com os princípios orientadores deste guia, propõem que alimentos in natura ( carnes, legumes, frutas) ou minimamente processados ( arroz, feijão, lentilha ), em grande variedade e predominantemente de origem vegetal, sejam a base da alimentação e evitar os ultraprocessados ( como salgadinhos, bolachinhas, macarrão instantâneo, sucos industrializados e refrigerantes)
O capítulo 3 traz orientações sobre como combinar alimentos na forma de refeições. 
O capítulo 4 traz orientações sobre o ato de comer e a comensalidade, abordando as circunstâncias – tempo e foco, espaço e companhia – que influenciam o aproveitamento dos alimentos e o prazer proporcionado pela alimentação.
O capítulo 5 examina fatores que podem ser obstáculos para a adesão das pessoas às recomendações deste guia – informação, oferta, custo, habilidades culinárias, tempo e publicidade
As recomendações  do  guia são sintetizadas  em  “Dez Passos para uma Alimentação Adequada e Saudável”:
1- A base da alimentação deve ser com alimentos in natura ou minimamente processados;
2- O sal, o açúcar, os óleos e as gorduras em geral devem ser utilizados em pequenas quantidades e apenas para  temperar, cozinhar alimentos e nas preparações culinárias;
3- Limitar o consumo de alimentos processados ( bolachas, salgadinhos, etc)
4-Evitar o consumo de alimentos ultraprocessados ( fast food, doçuras, sorvetes);
5- Fazer refeições regulares, em ambiente adequado e se possível com companhia;
6- Comprar em locais que ofereçam alimentos orgânicos e  frescos;
7- Cozinhar em casa e desenvolver habilidades culinárias;                        
8- Planejar o tempo para fazer as refeições com calma;
9- Nas refeições fora de casa, priorizar locais que ofereçam alimentos preparados na hora;
10-  Avaliar  informações, orientações e  mensagens a respeito de alimentação veiculadas em propagandas comercias e fontes duvidosas;

O download do guia está disponível em http://dab.saude.gov.br/portaldab/biblioteca.phpconteudo=publicacoes/guia_alimentar2014

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Um risco oculto: leite materno contaminado com metais tóxicos

A amamentação estabelece um  vínculo entre a mãe e seu recém-nascido. O leite materno passa anticorpos  e contribui para o  bem-estar psicológico do bebê, no entanto, ele também pode prejudicar algumas crianças, se estiver contaminado com metais tóxicos.
Um novo estudo realizado por S. Allen Counter, professor clínico de neurologia e diretor da Fundação Harvard, mostra que altos níveis de chumbo, assim como outros metais tóxicos, como mercúrio e cádmio, pode passar da mãe para filho através do leite materno. O estudo é descrito em um artigo publicado neste mês no Journal of Toxicology and Environmental Health.
O mais grave  é que as gestantes, mesmo em países desenvolvidos,  não conhecem sobre os  riscos  dos metais tóxicos, especialmente o chumbo, que  é absorvido nos  ossos e que  durante a gravidez migra para o útero , o qual passa para o  feto e acumula-se também  no leite materno de maneira  que a quantidade de chumbo no leite da mãe é essencialmente igual a encontrada no sangue .
Como parte do estudo, os pesquisadores  coletaram amostras de leite de cerca de 24  mães  na comunidade de índios quíchuas da América do Sul, e enviou-as para os Estados Unidos para testes. Os resultados, segundo eles, foram surpreendentes. 
Nos Estados Unidos, as mulheres apresentam geralmente níveis de chumbo entre 2,2 e 2,4 microgramas por litro de leite. Na América do Sul, os investigadores encontraram uma mulher andina Quechua com 49 microgramas por litro, e seu lactente tinha um nível de chumbo no sangue de 107 microgramas por litro, ou seja, mais de 20 vezes acima do nível de risco do CDC que é de 5 microgramas por litro.
O Dr. Counter em suas visitas às aldeias examinou também como níveis elevados de chumbo afetavam os níveis cognitivos da população e  observou , ainda que, muitas crianças ao cumprimentá-lo ,sorriam, e seus dentes eram escuros, quase pretos, porque  absorveram muito chumbo.
As principais vias de exposição ao chumbo são  oral, inalatória e cutânea. As fontes de contaminação são : água, bateria para veículos, uso de porcelana esmaltada e pintada, utensílios de PVC, plásticos, borrachas, soldas, fabricação caseira de chumbadas de pesca e cartuchos; tinturas de cabelo, tintas de brinquedos e de parede,mamadeiras de vidro, alimentos enlatados,agrotóxicos, emissões industriais e cosméticos.
Sabe-se hoje que o chumbo afeta múltiplos órgãos e tecidos, principalmente cérebro, ossos, fígado, rins, testículos, esperma, sistema imunológico e pulmões. Em crianças, à medida que aumenta o grau de contaminação agravam-se os sintomas: dificuldades de aprendizagem e atenção, apatia, dores de cabeça e convulsões, diminuição de QI, perda de audição, comportamento agressivo, retardamento mental e no crescimento , dores abdominais e nas articulações, nefropatia, anemia e outras. 
Em adultos, são relatados na literatura médica, progressivamente: hipertensão, desordens do sistema nervoso, perda de memória, irritabilidade, dores de cabeça, encefalopatia, esterilidade e impotência, nefropatia, anemia e diminuição da longevidade.

http://news.harvard.edu

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A Nutrição dos novos tempos

Se eu conhecer exatamente o alimento que preciso consumir para "nutrir" o meu DNA e prevenir doenças? se eu tomar  um polivitamínico específico para as minhas deficiências programadas pelo meu patrimônio genético? E se eu souber que preciso comer couve e não agrião para melhorar meu sistema antioxidante?

A  nutrigenômica e a nutrigenética podem  oferecer as respostas. Elas  são áreas científicas estudadas quando o assunto é a relação entre alimentação, genética e genoma .
O conhecimento da comunicação entre os genes e os compostos dos alimentos, como os nutrientes e os compostos bioativos possibilitou o surgimento destas duas novas ciências. Portanto, o entendimento sobre como os nutrientes afetam o balanço entre a saúde e  a doença pela alteração da expressão e/ou da estrutura do mapa genético individual, torna-se indispensável .
 O termo nutrigenômica ou genômica nutricional se refere ao estudo de como tais compostos presentes nos alimentos atuam na modulação da expressão gênica, enquanto o propósito da nutrigenética  é criar uma recomendação que possa apresentar os riscos e os benefícios do consumo de dietas específicas ou componentes dietéticos para cada indivíduo
O sequenciamento do genoma humano e outros mapeamentos posteriores mostraram que somos cerca de 0,5% diferentes uns dos outros do ponto de vista genético. Não é difícil  observar que os benefícios e malefícios da ingestão de alimentos não são iguais para todos. É a singularidade biológica que faz com que as substâncias tenham efeitos variados em cada pessoa. É o caso de indivíduos que fazem  a mesma dieta, que funciona muito bem para alguns e não apresenta os mesmos resultados  para   outros.
Os hábitos alimentares podem desencadear alterações químicas que afetam a expressão do DNA, podendo até silenciar os genes ou ativá-los. Essas mudanças não alteram apenas o sequenciamento genético, mas em muitos casos podem ser transmitidas às gerações seguintes.
Num  futuro próximo, quando você consultar um profissional da área nutricional, deverá apresentar o seu mapa genético. Imagine, então, o quanto precisos e eficazes serão os diagnósticos e os tratamentos propostos por esses especialistas, depois de ter checado, nesse documento, como o seu metabolismo e todo o seu organismo respondem, exatamente, a cada nutriente ingerido.Munidos desses dados, eles poderão prescrever uma dieta exclusiva, para você adequar o peso, ser mais ativo nas tarefas do dia a dia e ainda, levando em consideração a prevenção de desenvolver certas doenças.

Resumindo,  a alimentação é muito além das calorias e lembrando Hipocrates há 2500 anos  “Que o alimento seja seu remédio, e o remédio sua comida”.