quarta-feira, 23 de março de 2011

A nova recomendação de vitamina D para crianças e adolescentes

A partir de maio a nova recomendação de consumo diário de vitamina D para crianças e adolescentes, será publicada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). O valor salta de 200 UI (unidades internacionais) para 400 UI por dia, seguindo as novas orientações da Academia Americana de Pediatria, publicadas em março deste ano.
Nos Estados Unidos, as novas diretrizes recomendam o consumo de 400 UI para crianças de até 18 meses e de 600 UI para as mais velhas, independentemente da exposição solar.
A recomendação para consumo de cálcio continua a mesma, ou seja, de 1 a 3 anos = 700 mg de cálcio e de 4 a 8 anos= 1 g de cálcio.
O consumo de vitamina D é importante porque, junto com o cálcio, ela atua no processo de ossificação. Quando está em falta, pode provocar raquitismo, alterações no crescimento e nos ossos, além de reduzir a imunidade. Em quantidades ideais, diminui o risco de osteoporose na fase adulta.
O sol é a nossa mais poderosa fonte de vitamina D, que é produzida na pele em resposta aos raios UV. Cerca de 20 minutos de exposição no verão, irá produzir em torno de 10.000 unidades internacionais (UI) em uma pessoa de pele clara, segundo Vieth, professor da Universidade de Toronto - Canadá.
Um estudo norueguês pioneiro publicado em Cancer Causes and Controls em 2007, mostra que níveis mais altos de vitamina D estão relacionados a redução das taxas de mortalidade de câncer de mama, cólon e próstata .
No caso de adultos, as novas diretrizes do Instituto de Osteoporose Canadense recomendam a ingestão de suplementos diários de 400 a 1000 UI para indivíduos com idade inferior a 50 anos sem osteoporose ou doenças que afetam a absorção da vitamina D. Para indivíduos com mais de 50 anos, os suplementos entre 800 e 2000 UI, são recomendados.
O cálculo de consumo de vitamina D, no Brasil, é feito em microgramas (mcg). Cada UI equivale a 40 mcg.

Alguns alimentos também são fontes de vitamina D:

*13,5 g de óleo de figado de bacalhau tem 34 mcg ou 1360UI

*100 g de salmão têm 11,83 mcg ou 473,2 UI

*100 de de ostras cruas tem 08 mcg ou 320 UI

* 01 gema do ovo tem 2,08 mcg ou 83,2 UI

* 100 g de carnes( frango,porco, vísceras) tem 0,30 mcg ou 12 UI

Fonte: Biodisponibildade de nutrientes - Silvia Cozzolino

Lembrei e muitos devem lembrar que na infância e adolescência era comum tomar um líquido cujo rótulo havia um homem carregando um peixe nas costas. Este suplemento é óleo de figado de bacalhau, excelente fonte de vitamina D.
Acredito que logo teremos novas recomendações de consumo de vitamina D para adultos no Brasil, principalmente para populações que residem em regiões mais frias.

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terça-feira, 1 de março de 2011

Proibição dos inibidores de apetite – a favor da saúde ou contra interesses

A proposta da Anvisa na proibição de medicamentos para emagrecimento comercializados no Brasil está gerando muitas discussões, posicionamentos e provocou o adiamento da decisão.
A audiência pública para tratar da questão aconteceu na quarta-feira (23/2) em Brasília, e o resultado do embate, diante da pressão, foi o adiamento da edição da medida. Uma semana antes, a Anvisa havia previsto a edição da resolução para o início de março e depois da audiência pública, não falava mais em prazo.
A Câmara Técnica de Medicamentos (Cateme) recomendou à Anvisa o cancelamento do registro da sibutramina e dos demais inibidores de apetite (femproporex, anfepramona, mazindol) comercializados no Brasil. Isso porque os riscos desses medicamentos à saúde do paciente superam amplamente os benefícios esperados do seu uso no tratamento da obesidade
A conclusão da Cateme foi alcançada de forma independente, após longa e criteriosa análise das evidências científicas disponíveis e coincide em essência com as conclusões anteriores das agências de medicamentos dos Estados Unidos (FDA) e da Europa (EMA) sobre a segurança e eficácia desses anorexígenos. Entre os estudos citados está o que foi publicado na New England Journal of Medicine, que acompanhou 10 mil pacientes em 16 países e revelou que houve aumento de 16% no risco de complicações cardiovasculares entre usuários de sibutramina. Por conta desses resultados, a substância foi banida nos Estados Unidos e na Europa.
A sibutramina foi retirada também no Canadá, na Austrália e em outros países em 2010, enquanto os demais anorexígenos, na maioria dos casos, já haviam sido banidos,há muito tempo.O femproporex, que é transformado no organismo em anfetamina e tem alto potencial de causar dependência, é, no cenário internacional, quase uma singularidade do mercado brasileiro.Nos Estados Unidos, quando contrabandeado, é conhecido como a pílula brasileira para emagrecer ("Brazilian diet pill").
A Cateme concluiu ainda que a afirmação do tratamento com anorexígenos contribuir para reduzir a morbidade e a mortalidade associadas à obesidade não foi comprovada por nenhum estudo clínico de longa duração, controlado e com valor estatístico adequado. Os anorexígenos causam redução modesta de peso, que não é mantida após a interrupção do tratamento. Eles são a segunda causa de internação psiquiátrica no Brasil, perdendo apenas para o álcool.
Segundo o médico e pesquisador Francisco Paumgartten, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) e membro da Cateme, os medicamentos que não são seguros e eficazes não são opções aceitáveis para o tratamento da obesidade ou de qualquer outra condição. A dieta e os exercícios permanecem como opções seguras e eficazes para o tratamento da obesidade. Certamente, a redução de peso alcançada com exercícios físicos e reeducação alimentar é acompanhada por diminuição da morbidade associada ao excesso de peso e isso não foi demonstrado com os anorexígenos.
 
Saiba como funcionam e quais são os principais efeitos adversos dos inibidores de apetite

 

Anfepramona (dietilpropiona)

É um agente noradrenérgico que inibe a fome. Este medicamento estimula o sistema nervoso central (SNC) aumentando a liberação de noradrenalina dentro da fenda sináptica dos neurônios hipotalâmicos, que estimula os receptores noradrenérgicos diminuindo, assim, o apetite.
Os principais efeitos colaterais são secura na boca, insônia, cefaléia, intestino preso, irritabilidade e euforia.
 
Femproporex

É um inibidor do apetite derivado da anfetamina, de ação catecolaminérgica, que atua no SNC, sendo utilizado no tratamento da obesidade desde a década de 70. No entanto, existem poucos estudos controlados publicados sobre o seu uso, devido às diferentes doses e critérios de avaliações de perda de peso utilizados nos estudos.
Os principais efeitos colaterais são boca seca, insônia, irritabilidade, euforia e taquicardia . Além disso, foram relatados casos em que o fármaco induziu à dependência química.


Mazindol

É um medicamento anorexígeno que estimula o SNC, bloqueando a recaptação de noradrenalina nas terminações pré-sinápticas..
A eficácia e a segurança em adolescentes e idosos não estão comprovadas.
Os principais efeitos colaterais relatados são boca seca, constipação, náuseas, distúrbios do sono e tonturas.

Sibutramina

A sibutramina atua no sistema nervoso central inibindo a recaptação de serotonina e noreadrenalina nas terminações nervosas, e esta ação tem efeitos anorexígenos e sacietógenos, pois amplificam os sinais de saciedade e induz à sensação de plenitude.
A boca seca, intestino preso, cefaleia e insônia são os efeitos adversos mais frequentes. Além de ocorrer irritabilidade, ansiedade, náuseas e taquicardia.
A sibutramina é contraindicada em pacientes com história de doença cardiovascular, incluindo doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral ou ataque isquêmico transitório, arritmia cardíaca, insuficiência cardíaca congestiva, doença arterial periférica.


Enquanto os órgãos competentes continuam o debate sobre a proibição da venda dos inibidores de apetite, avalie com atenção as informações e tome seu posicionamento a respeito do assunto??!!